Conto de Natal
Isaurinda Brissos e Cristina Longo


Audio Conto de Natal
Conto de Natal - Cristina Longo

João Pequeno e o pinheiro de Natal

Naquela manhã, as ondas chegavam à praia, devagar, enrolando-se na areia como uma clave de sol no início de uma música, e depois seguiam as linhas da pauta saltitando entre notas de espuma.
As gaivotas esvoaçavam ao sabor do vento que entoava, também ele, uma melodia harmoniosa.

Conto de Natal - Cristina Longo

João Pequeno, sonhador incorrigível, olhava o mar seguindo os movimentos do enrolar das ondas, imaginando-as a saltitar nas teclas de um piano numa melodia que desde sempre ouvia no seu imaginário.
- J o ã o   P e q u e n o … (chamava o eco), anda brincar!
Entre risos e gargalhadas, salpicos de espuma e de água salgada, João Pequeno dançava ao sabor das ondas e daquela melodia que só ele ouvia!

Conto de Natal - Cristina Longo

As gaivotas estavam à espera para aplaudirem o espectáculo, mas João, acordara de repente com a mensagem que uma delas lhe trouxera.

Conto de Natal - Cristina Longo

Era quase Natal. O pinhal estava carregado de uma bruma cerrada onde a luz entrava com esforço por entre os ramos, era uma luz mágica que descia do céu, o sinal de que deveria ficar alerta.
Neste dia, os homens costumavam arrancar os braços dos pinheiros; os eucaliptos bem tentavam segurá-los, mas os homens continuavam, levavam-nos para dentro de casa e enfeitavam-nos com bolas reluzentes e coloridas iluminadas pela luz de uma lareira acesa.
Mas porque é que não trazem os enfeites cá para fora e enfeitam o pinhal? pensava João Pequeno, seria muito mais bonito e os pinheiros continuariam inteiros.

Conto de Natal - Cristina Longo

Numa réstia de esperança, mandou reunir todos os pássaros, queria que fossem mensageiros da sua ideia.
Como um exército, os pássaros voaram pelas cidades e as gaivotas pelos mares transmitindo a mensagem, mas os homens não quiseram ouvi-la em nome de uma coisa chamada tradição.

Conto de Natal - Cristina Longo

Desanimado e sem forças para acudir àquela maldade, pediu ao céu que o ajudasse.
Cansado, deixou-se dormir debaixo de um pinheiro a ouvir o mar, e quando acordou as estrelas tinham descido à terra e pousado no cimo dos pinheiros, e a lua tinha-se desfeito em lágrimas que caíram sobre as árvores como bolas de cristal.
Era noite de Natal.

Texto: Isaurinda Brissos
Ilustrações: Cristina Longo

isaurindabrissos@gmail.com
http://www.isaurindabrissos.com/

art@cristinalongo.com
http://web.comhem.se/cristinalongo/

Copyright © Dezembro 2009
Todos os direitos reservados