A passagem por Angola no final dos anos sessenta e princípio
dos anos setenta deixou-me indelevelmente marcado para o resto da minha
vida.
Não tenho explicação para este fenómeno
pois se tive bons momentos também tive outros muito desagradáveis
que não gosto de recordar.
O certo é que daquela estadia ficou um encantamento que me faz
interessar por tudo o que lá se passa.
Diz-se que é a magia da
África que se infiltra no nosso sangue e não nos deixa
esquecer aquela terra tão especial.
Para mim foi talvez uma paixão que me abria os olhos para o que
achava que era belo e me cegava dos problemas que a atormentavam.
Quarenta anos passados a nostalgia daqueles tempos permanece mas os conhecimentos que fui adquirindo sobre a realidade do continente fizeram-me compreender que os sentimentos românticos que alimentava sobre África eram quase exclusivamente devidos a à minha ignorância sobre a sua realidade.
Não esqueço, contudo, que foi lá que fiz as minhas primeiras fotografias, contagiado pelo ambiente totalmente novo que começava a descobrir. Infelizmente muito pouco resta desses registos. Do que ficou aqui vai o que julgo aceitável do principiante que eu era.
Todas foram realizadas, nos subúrbios da cidade de Luanda (Angola), no ano de 1970.
Naquele tempo, os subúrbios de Luanda eram totalmente constituídos por bairros de lata (musseques) sem qualquer tipo de saneamento, habitados por milhões de pessoas de raça negra vivendo em condições muito difíceis.
